23 de abril de 2014

Depoimento numero 1: Laura Gouvêa, Bulimia/Anorexia


Quem nunca quis ter o corpo da Grazi Massafera ou da Juliana Paes que atire a primeira pedra.
Bom, a pedido da querida Karol, hoje venho falar pra vocês sobre minha luta contra a balança e contra minha auto-estima.
Eu nuca fui do tipo magrela e muito menos do tipo ‘a gostosa do colégio’. Pelo contrário, sempre fui baixinha, com um corpo normal pendendo pro gordinha, de óculos e um tanto quanto molecona. E embora eu tenha quase 24 anos, nada disso mudou.
Quando eu tinha 16 anos, fui obrigada a ir em uma consulta com um cardiologista devido as minhas frequentes crises de asma, tendo em vista que fui parar no hospital com a pressão 15 por 10 (não sei escrever como se deve rs). Eu realmente esperava ser consultada para que problemas cardíacos fossem evitados, não ser esculachada. Sim, um profissional denominado médico resolveu classificar uma menina de 16 anos com 55kg e 1,57cm como: gorda, feia, moça que nunca arrumaria namorado, que ficaria com ‘aquela pança imensa encostada no fogão’, dentre outros adjetivos.
NUNCA MAIS VOLTEI LÁ!
Anos se passaram e devido a inúmeros contratempos da vida – seja relacionado à namorados ou não – decidi acreditar que o fato de não ser plenamente feliz estava totalmente relacionado a minha boa forma, na verdade, a falta dela.
Com isso decidi ser magra independente do que fosse preciso pra isso acontecer. Dietas com uma única refeição no dia e o restante dele a base de água ou até exterminando carboidratos da minha vida, foram feitas. Acho que não preciso dizer o que houve, né?
Levando em consideração que toda essa loucura me rendeu 10kg a mais, eu resolvi pensar racionalmente e procurar ajuda de um verdadeiro profissional.
Dra Lúcia é nutricionista em forma de anjo. Ela é consciente e pelo que conheço dela não gosta nada de loucuras. Sendo assim, uma dieta balanceada com todos os grupos alimentares me foi dada. Tudo conciliado, claro, a exercícios físicos.
Em plena felicidade por estar conseguindo atingir a meta estipulada, que eram 62kg e nada a menos nem a mais que isso, me vi obcecada pelo meu corpo e deixando a saúde de lado. Eu queria me exercitar mais que sete dias por semana, mais que uma hora do dia. Eu passei a deixar de comer inclusive coisas que eram permitidas. Eu passei a me ver debruçada em um vaso sanitário tirando de mim todas as calorias consumidas. Eu me vi com a resistência baixa, tendo inúmeras gripes, crises de asma, pneumonia e, por fim, anemia.
Claro que não cheguei em momento algum a ficar esquelética como a maioria das pessoas que sofrem algum distúrbio alimentar. Só que isso só não aconteceu pois Deus me mandou outro anjo, só que dessa vez em forma de namorado e de nome Caio.
Foi ele quem ordenou que eu procurasse ajuda pois ele não ia permitir que eu continuasse tão obcecada por ser magra. Afinal, eu já estava com o esperado 62kg.
Busquei ajuda e fui diagnosticada pela psicóloga com ‘bulimia e anorexia’. Como eu disse, graças a Deus não cheguei no ápice desse problema, mas ele acabou me atingindo e só não aconteceu por eu ter corrido a tempo.
Comecei com 69kg e 92cm (ou 95) de circunferência abdominal. Segui à risca a dieta por 4 meses, conciliando academia por dois meses (comecei a caminhar e a correr numa praça aqui perto de casa nos fins de semana devido a falta de tempo), deixei pra trás 6,5kg e 12cm de circunferência.
Faço terapia semanal e embora seja há pouco tempo, já notei resultados. Crises de choro ainda surgem, mas não mais diariamente e a toda refeição. Embora seja difícil pra eu encarar um x-bacon sem pensar nas calorias ou “passar mal” (eu usava esse termo sempre que comia algo não saudável), eu acabo comendo e pensando no sofrimento que vou causar ao Caio (que tanto me ajuda) e os danos na minha saúde.
É triste ter cabelos caindo e unhas curtinhas por estarem fracas.
Como eu disse no meu blog (Juro de Mindinho), toda essa lenga-lenga não é pra comover vocês nem nada disso, é só pra alertar a moçada (cara, eu tenho quase 24 anos e aconteceu comigo) que estar magra não é sinônimo de estar saudável. E que tudo tem que ter não só o conjunto da ajuda de profissionais e sua força de vontade. O seu "racional" tem que estar no comando.
Ter o Caio ao meu lado foi fundamental pra eu ‘acordar’, claro, mas assim como pra seguir todo o programa nutricional, minha maior aliada pra lutar contra isso foi e continua sendo a força de vontade.


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